Terça-feira, 7 de Setembro de 2010
Serviço de assinaturas Contactos
 
Últimos vídeos colocados
 
Dr. Norberto Manso
comente a notícia ] [ pdf ]    
VERDADE, BONDADE E UTILIDADE A VIDA, O AMOR E MUITO MAIS…

Não publicar determinados textos pode não ser um acto de censura. A orientação editorial define os critérios do que se publica. O que não respeita a qualidade, a orientação e as exigências editoriais não é publicável. E isto não é censura.

1- Na antiga Grécia, Sócrates, foi famoso pela sua sabedoria e pelo grande respeito que tinha pelo seu semelhante. Consta que um dia se encontrou com um conhecido seu que lhe disse:
-Sabe o que ouvi sobre o seu amigo?
-Espere um minuto – replicou Sócrates. Antes que me diga qualquer coisa, quero que passe por um pequeno exame. Eu chamo-o de triplo filtro.
-Triplo filtro? – perguntou o outro.
-Sim, – continuou Sócrates. Antes que me fale sobre o meu amigo, talvez seja boa ideia parar um momento e filtrar três vezes o que vai dizer. É por isso que lhe chamo, “Teste do Triplo Filtro”. E continuou: o primeiro filtro é a verdade. Está absolutamente seguro de que o que me vai dizer é verdade?
-Não, disse o homem, realmente só ouvi dizer que…
-Bem, disse Sócrates, então realmente não sabe se é verdade ou não.
Agora permita-me aplicar o segundo filtro, o filtro da bondade. É algo bom o que me vai dizer sobre o meu amigo?
-Não, muito pelo contrário…
-Então, continuou Sócrates, deseja-me dizer algo mau sobre o meu amigo e ainda por cima não sabe se é ou não verdade?
Mesmo assim, ainda falta um filtro, o filtro da utilidade. O que me vai dizer sobre o meu amigo será útil para mim?
-Não, na verdade não.
-Bem, concluiu Sócrates. Se o que me deseja dizer não é verdade, nem bom e tão-pouco me será útil, qual o meu interesse em saber? Para quê dizer-me?
Com algumas adaptações, este é um texto que circula pela net e que achei oportuno transcrever, porque a maior parte das vezes não usamos os filtros e acabamos por ouvir e falar de tudo e de todos, espalhando calúnias e boatos, umas vezes sem intenção alguma, outras vezes propositadamente para nos vingarmos, destruindo a dignidade, o bom-nome e a honra das pessoas.
O diz-que-diz-que, o boato, a fofoca são uma praga contagiosa que injecta veneno mortífero na dignidade da pessoa humana.
 
2-Ultimamente, as novas tecnologias de comunicação e informação estão ao serviço de qualquer um. São ferramentas que, bem utilizadas, são muito úteis e fundamentais à comunicação, divulgando o conhecimento. Nas mãos erradas, são ferramentas que podem disseminar o diz-que-diz-que, o boato, a fofoca. (É como se alguém usasse um automóvel para atropelar pessoas em vez de se servir dele para se deslocar). Alguns blogues são disso exemplo e mais não são do que a moderna forma de boato. Só que o boato, quando toma a forma escrita, torna-se mais mortífero, porquanto a linguagem escrita ainda tem uma grande reputação.
É verdade que todas as pessoas têm direito à sua opinião. No entanto, há opiniões que são tolas, imbecis, mentirosas, infundadas e, propositadamente, ofensivas do bom-nome das pessoas. E aqui a responsabilidade é de quem escreve e, sobretudo, de quem edita. Sendo certo que uma coisa são, por exemplo, os artigos de opinião, e outra as centenas de comentários que se fazem, muitos sem qualquer seriedade, objectividade e honestidade intelectual, alguns de uma espantosa vulgaridade, quase todos anónimos para não se assumirem as autênticas barbaridades que são escritas não se podendo responsabilizar os seus autores.
Não publicar determinados textos pode não ser um acto de censura. A orientação editorial define os critérios do que se publica. O que não respeita a qualidade, a orientação e as exigências editoriais não é publicável. E isto não é censura. Por exemplo, uma publicação científica tem um crivo muito apertado sobre o que publica. No outro extremo temos alguns blogues onde parece valer tudo. E onde vale tudo, não vale nada!
Há pessoas que não valorizam o diz-que-diz-que. No entanto, quando são os inimigos o alvo, esfregam as mãos de contentes. Lá chegará a vez deles.
O que me traz à memória o poema de Bertolt Brecht, A Indiferença, que trancrevo:
 
A Indiferença
 
Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.
 
Feliz Natal para todos.
norbertomanso@gmail.com


   

Por: Norberto de Oliveira Manso


2009-11-27    1188 Leituras

comente a notícia ] [ pdf ]    
 

  Comentários

Comente esta notícia!
Para poder comentar esta notícia tem de estar registado
Por favor registe-se ou introduza os seus dados de utilizador.
 
 
Diário online Ed. impressa Videos
Junho 2010
Do Se Te Qu Qu Se
    1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30      
Lista de eventos
1 - 6 - 2010
Dia Mundial da Criança
2 - 6 - 2010
Colheita de sangue
5 - 6 - 2010
Excursão a Aveiro
Últimos vídeos colocados Actualidades Freguesias A Região Opinião Desporto Cultura